Juscelino Kubitschek de Oliveira

(31/01/1956 - 341/01/1961)

Uma vez no poder, JK revelou-se dinâmico, empreendedor, competente e astuto, e seu otimismo contagiou a nação. Apesar de conciliador, JK não fez concessões à UDN: dos 24 ministros civis, 16 eram do PSD e seis do PTB. O "partido golpista" (a UDN) não recebeu uma única pasta. Ainda assim, os anos JK seriam marcados pela estabilidade política: a cúpula militar se aclamara; os golpistas tinham perdido duas paradas altas - a renúncia de Vargas acabou virando o suicídio de um "mártir" e a tentativa de impedir a posse de JK esbarrou na "espada neutra" do general Lott. Embora uma pequena rebelião liderada por dois oficiais da Aeronáutica, deflagrada duas semanas após a sua posse, em fevereiro de 1954, tivesse ocorrido em Jacareacanga, no Pará, JK teria toda a tranquilidade para governar.

A política econômica do presidente Kubitschek foi chamada de "Plano de Metas" que previa a substituição de importações, o investimento do Estado no setor público (construção de estradas e Brasília) e a indústria da Base (USIMINAS e COSIPA). O plano procurava atingir seis setores estratégicos da economia: energia, transporte, alimentação, indústria básica, educação e a construção da nova capital, Brasília.

Para executar seu ambicioso Programa de Metas - simbolizado pelo slogan "50 anos em 5", que procurava modernizar amplamente o país, e baseado no binômio "energia e transporte" -, JK, disposto a derrotar a burocracaia, criou órgãos paralelos e horários alternativos de trabalho. Ao obter recursos que lhe permitissem concretizar seus planos, ele acabou forjando a expressão "nacional-desenvolvimentismo" - uma astuciosa política econômica que combinava a ação do Estado com a empresa privada nacional e o capital estrangeiro.

No setor da energia elétrica se alcançou um índice de 96% e no setor petrolífero chegou-se aos 75,5% para a produção de óleos crus e 71% para o refino. Iniciaram-se as construções das barragens de Furnas e da Três Marias. Estas medidas respondiam ao boicote das concessionárias estrangeiras ao fornecimento de energia elétrica necessária à industrialização.

Foi desenvolvido o setor de transportes, a partir do crescimento das ferrovias, rodovias, sendo que no setor marítimo se alcançou um índice de 90%. As indústrias intermediárias chegaram a uma taxa de 181% nos bens de capital, a indústria atingiu mais de 90% e a indústria de equipamentos, que aumentou 100%.

Entre muitas ações que marcaram um surto desenvolvimentista sem precedentes no país, o governo JK se notabilizou pelo grande impulso que deu à indústria automobilística., que teve em seu governo o início de produção . Ainda em 1956, JK criou o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia). Graças a incentivos fiscais, empresas automobilísticas multinacionais, como a Ford e a Genral Motors (que estavam no Brasil desde 1919 e 1925 respectivamente), passaram a fabricar utilitários em 1957 e outras montadoras se instalaram na região do ABC paulista.

De início, devido ao interesse primordial dos EUA no mercado da Europa, foram justamente empresas européias as que vieram para o país, entre elas a Wolkswagen, alemã, e a Simca, francesa. Em 1959 foi lançado o primeiro Fusca montado no Brasil - e JK orgulhosamente desfilou a bordo do carro, que se tornaria um dos mais vendidos e amados do país. Também em 1959 a Simca lançou a luxuosa linha Chambord, logo transformada em símbolo de requinte e eficiência, que seriam associados à era JK. entre 1957 e 1960, foram rpoduzidos mais de 320 mil veículos, 90% a mais que o previsto. O Brasil orgulhosamente se movia sobre quatro rodas.
O governo Juscelino também entrou para a história por construir Brasília, tendo transferido a capital da República para o Planalto Central em 1960.

Em setembro de 1956 foi aprovada a lei 2.874, que criou a Cia. Urbanizadora da Nova Capital. As obras se iniciaram em fevereiro de 1957, com apenas três mil trabalhadores - batizados de "candangos". Os arquitetos Oscar Niemayer e Lúcio Costa foram os encarregados de projetar a cidade "futurista". Nove meses depois, cerca de 12 mil pessoas viviam e trabalhavam em Brasília.

No dia 21 de abril de 1960 foi inaugurada a nova capital, Brasília, atingindo, portanto, outra meta.

O plano de metas representou um aumento do processo de substituição de importações, sendo que, grande parte das inversões foram feitas na região Centro-Sul, agravando os desequilíbrios regionais que foram sentidos de forma mais intensa no Nordeste. O crescimento do mercado de trabalho no setor urbano não foi acompanhado por um igual aumento no setor rural, gerando o êxodo do campo e o crescimento das favelas. Outro setor que apresentou um crescimento considerável foi o tecnocrático e burocrático com a direção do Conselho de Desenvolvimento, que controlava o Planejamento Central. O plano de metas contava para a execução com o Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), o Banco do Brasil e a Superintendência da Moeda e do Crédito (SUMOC).

A participação dos capitais estrangeiros no plano de metas foi muito importante, sendo que, algumas empresas estrangeiras obtiveram concessões altamente vantajosas. Portanto, o Plano Desenvolvimento contava com as empresas de economia mista e com a iniciativa privada.

Outro fato marcando do governo JK foi a criação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), cujo Programa inicial consistia na reorganização da economia das áreas atingidas pelas secas.

Durante seu governo enfrentou e resolveu pacificamente algumas rebeliões militares, como e de Aragarçãs.

No final do Governo Kubitschek, a inflação, a alta do custo de vida começavam a gerar descontentamento na pequena burguesia, no proletariado e no campesinato. Com o desenvolvimento desses problemas, a Aliança PSD-PTB foi rompida, sendo que João Goulart dava total apoio aos Movimentos Sindicais.

Outro aspecto importante que contribuiu muito para o aumento dos problemas do Presidente JK, foi a atuação do Partido Comunista que se manifestava através de publicações, levando os setores reacionários a denunciar novamente o perigo da presença comunista no Brasil.