
Jânio Quadros
(Jânio da Silva Quadros)
(31/01/1961 - 25/08/1961)
Político com rápida e brilhante carreira em São Paulo, apresentou-se para a eleição com força enorme ( A vassoura contra a corrupção ) tendo atraído votos de todo tipo de eleitor.
Foi eleito pela União Democrática Nacional (UDN) e Partido Democrático Cristão (PDC). Durante a campanha, Jânio conseguiu conquistar uma legião de admiradores com um discurso populista e marcadamente moralista. Apresentava-se como o "homem do tostão contra o milhão" que iria "sanear" a nação. O seu símbolo preferido era a vassoura e o jingle "Varre, varre vassourinha/ Varre, varre a bandalheira/ O povo já está cansado/ De viver dessa maneira". Em outubro de 1960, Jânio recebeu uma das mais expressivas votações da história: teve 48% dos votos (6 milhões de votos). Sua vitória só não foi total porque, graças a desvinculação dos votos, Jango, da chapa do general Lott, se elegeu vice-presidente.
Assumiu em 31/01/1961 e revelou-se tão histriônico quanto se poderia supor. Enviava centenas de "bilhetinhos" aos ministros e assessores (mais de 2 mil em 206 dias de trabalho). Jânio proibiu a propaganda em cinemas, regulamentou os horários e as normas do jogo de cartas em clubes e a participação de crianças em programas de TV e rádio, entre outras medidas. Mas governava sem base política: PTB e PSD dominavam o Congresso, Lacerda passara para a oposição, Jânio não consultava a UDN e o país estava individado.
Jânio prometia uma política econômica austera para combater a inflação, com uma postura moralista garantia combater a corrupção e a especulação. Já empossado, não conseguia contentar estes setores, com uma política econômica de sacrifícios e uma política externa de independência vista como perigosa.
A repressão aos movimentos camponeses, aos movimentos de estudantes e o controle dos sindicatos, demonstra toda a forma conservadora e autoritária do Presidente no plano interno, pois, no plano externo reata as relações diplomáticas e comerciais com o bloco comunista, desagradando o Governo Norte-Americano.
A chamada POLÍTICA DE AUSTERIDADE será repleta de medidas impopulares tais como congelamento dos salários, restrição creditícia, corte de subsídios federais, desvalorização do cruzeiro gerando protestos por parte dos empresários e operários. Juntando-se aos problemas internos, o Presidente Jânio Quadros manda ao Congresso um projeto, que determina um novo imposto sobre todos os lucros, nacionais e estrangeiros de 30%. Na verdade, já existia uma taxa de 20% sobre todos os lucros exportados e com a nova taxa as empresas teriam uma taxa real de 50%, ferindo os interesses da classe dominante no Brasil e do Imperialismo.
Os protestos contra Jânio Quadros começam a se intensificar ,
sendo até chamado de comunista por ter condecorado Ernesto Che Guevara e de
estar tramando um regime igual ao Cubano para o Brasil, denúncia esta feita por
Carlos Lacerda. A 24 de agosto de 1961, Lacerda fez um discurso no rádio
denunciando uma suposta tentativa de golpe articulada por Jânio. No dia seguinte
(25 de agosto), após quase sete meses no governo, o primeiro presidente a tomar
posse em Brasília estarrecia a nação ao anunciar sua renúncia, por não aguentar
o peso das pressões. Alegou que "forças terríveis" ("forças ocultas")
levantaram-se contra ele, que na verdade podem ser identificadas através dos
representantes do imperialismo Norte-Americano: John Moors Cabot
(ex-Embaixador), Adolf Berle e o Secretário do Tesouro Americano Douglas Dillon,
associados as forças antipopulistas reunidas na UDN.
A única explicação
aceitável para essa atitude é a de que Jânio, não tendo maioria no Congresso,
não suportou governar limitado pelo parlamento, sabia da aversão dos militares
pelo vice-presidente João Goulart, imaginou um vazio no poder e a sua recondução
à presidência com amplos poderes constitucionais. Jânio com isso deu início a
guerra da legalidade que pressionou os militares a darem posse ao
vice-presidente João Belchior Marques Goulart. Depois tentou voltar ao governo
de São Paulo em 1962 e perdeu para Adhemar de Barros. Foi cassado em 1964 pelos
militares. Em 1985 elegeu-se prefeito de São Paulo, derrotando Fernando Henrique
Cardoso. Faleceu em fevereiro de 1992.
Vale à pena destacar a política externa idependente do Presidente. Com o objetivo de ampliar o mercado e fortalecer a posição do Brasil, na América Latina, resolveu reatar as relações diplomáticas com a URSS, enviou missões comerciais à China e à África e condecorou com a ordem do Cruzeiro do Sul Ernesto Guevara, um dos líderes da revolução cubana.