General Ernesto Geisel

(15/03/1974 - 15/03/1979)

Geisel tomou posse e trouxe de volta ao poder o general Golbery do Couto e Silva. Juntos, articularam um projeto de abertura "lenta, gradual e segura" rumo a uma indefinida "democracia relativa". Mas a crise econômica e a reação da "linha dura" do Exército colocariam permanentemente em cheque os planos de "distensão" imaginados por Geisel e Golbery.

Geisel é escolhido para ser o novo General-Presidente, buscando nos seus cinco anos de mandato melhorar a imagem do regime, através da reabertura do diálogo com setores marginalizados das elites e ao mesmo tempo conter a ação da oposição. Na verdade, a oposição, apesar de ter maior liberdade, possuía limites que respeitam a chamada política de segurança nacional.

O governo do General Geisel foi marcado por momentos de abertura e de medidas repressivas, levando para o Congresso e os Partidos Políticos os debates populares e ao mesmo tempo pela retirada da censura à imprensa. O resultado dessas medidas aparece nas eleições de 1974 com uma grande vitória da oposição.

Durante esse período os órgãos da repressão passam a adotar o silêncio, objetivando evitar o seu próprio desgaste, pois a imprensa possuía maior liberdade, portanto questionaria as versões de "atropelamento", "suicídio", e outras.

As atividades do Congresso Nacional atingem o governo, à medida em que os Parlamentares fazem violentas críticas à Ditadura Militar e denunciam as torturas e mortes. Este fato leva o governo a tomar medidas, visando punir o parlamento, voltando o processo de cassações de mandatos.

Geisel assumiu a presidência logo após a Crise do Petróleo, que encontrou um Brasil otimista e despreparado para enfrentá-la. Mesmo assim manteve a construção de obras gigantescas, como a ponte Rio-Niterói, a Usina Nuclear em Angra dos Reis e Itaipu.

Embora disposto a levar em frente seu projeto reformista, Geisel em tomar medidas duras amparadas nos poderes que lhe concedia o Ato Institucional nº 5, o AI-5. Geisel assumiu prometendo desenvolver um projeto de "distensão" política, o que significaria abandonar "de forma lenta, gradual e segura" os instrumentos de exceção até chegar à revogação do AI-5.

A partir de 1974 o mundo viveu a crise do petróleo e a economia brasileira, totalmente dependente do petróleo, acabou entrando em crise, o que levou o presidente a promover a distensão. A "linha dura" pressionava o governo, que acabou cedendo a "Lei Falcão", decretada às vésperas das eleições de 1976. De acordo com essa lei, na propaganda eleitoral no rádio e na televisão, os partidos somente poderiam expor os nomes e números dos candidatos, sendo lido um currículo de cada um e mostrado o retrato. Com isso, impedia-se que a oposição fizesse discursos contrários ao governo.

Em 1o de abril de 1977, devido ao impasse surgido no Congresso para aprovação de um projeto de reformulação do sistema judiciário brasileiro, o Presidente fechou novamente o Congresso, editando o chamado "pacote de abril", procurando redefinir o Colégio Eleitoral que elegia indiretamente os Governos, criando a figura do Senador "biônico" (não eleito pelo voto popular) e ampliando o mandato do Presidente da República para seis anos. A atitude mais ríspida de Geisel contra a oposição foi o fechamento do Congresso.
As medidas tomadas deram impulso à oposição; as mais variadas demonstrações de protesto foram ouvidas em todo o país. O autoritarismo do regime militar tinha se esgotado. Começou-se a falar na convocação de uma Assembléia Constituinte, precedida, evidentemente, por uma anistia ampla, geral e irrestrita.

Nos meios militares começa a surgir posições conflitantes, entre aqueles que defendiam a posição do General Geisel e aqueles que atacavam a política do governo, principalmente do General Golbery do Couto e Silva, principal articulador da política de distensão. A resposta da linha dura vem os assassinatos nas dependências do DOI-CODI de São Paulo do Jornalista Wladimir Herzog e do metalúrgico Manoel Fiel Filho. O General Geisel como resposta, destituiu o Comandante do II Exército, General Eduardo d'Ávila Mello.

Esse período marcou com bastante intensidade a ação clandestina da repressão e o início do terrorismo de direita no Brasil. Em 1976 foi praticado um atentado contra o Bispo de Nova Iguaçu, D. Adriano Hipólito, mostrando claramente a divergência entre o estado e a igreja. Apesar dos pesares, Geisel colocaria em prática várias medidas para implementar a "distensão". A primeria delas foi a suspensão da censura prévia à imprensa escrita, no início de 1975 - embora rádio e TV continuassem sob vigilância. Em julho de 1975, Geisel assinou um "programa de cooperação nuclear" entre Brasil e Alemanha, sem consultar a comunidade científica e a sociedade civil.
Na área econômica, Geisel herdou de seu sucessor um país com inflação anual de 18,7% e uma dívida externa de US$ 12,5 bilhões. apesar de durante seu governo o PIB ter crescido espantosos 41%, a inflação chegou aos 40% anuais e a dívida externa disparou para US$ 43 bilhões.

Mesmo com todas as crises políticas e econômicas, Geisel não apenas seria o único general-presidente a fazer seu sucessor como conseguiria cumprir a promessa de concretizar sua "abetura lenta e gradual".

No dia 1º de janeiro de 1979, extinguiu o AI-5.

Em 15 de março passou a faixa para João Figueiredo.