
Marechal Foriano
(Marechal Floriano Vieira Peixoto)
23/11/1891 - 15/11/1894
Em obediência à Constituição, em 25 de fevereiro de 1891, Floriano Peixoto foi eleito pelo congresso vice-presidente do Brasil - e uma espécie de "herdeiro presuntivo" da república. Nove meses depois, com a renúncia forçada de Deodoro da Fonseca, ele seria o presidente.
Nascido em Alagoas, em 1839, veterano da Guerra do Paraguai - Marechal do Exército, Floriano assumiu o governo como vice-presidente em exercício, em 23 de novembro de 1891. Floriano Peixoto assume a Presidência, num dos períodos mais conturbados da Primeira República. Revoga o ato de dissolução do Congresso, restabelecendo-o, suspende o estado de sítio e depõe os Governadores solidários ao fechamento desse órgão, efetuado por Deodoro.
Ainda assim, seu governo era inconstitucional: o artigo 42 dizia que, se o presidente não completasse a metade do mandato, novas eleições deviam ser convocadas. Mas, com o apoio do PRP e da classe média urbana, Floriano sentiu-se à vontade no papel de "consolidador da república" e lançou as bases de uma ditadura de "salvação nacional".
A resistência de Floriano a duas pressões: A Revolta das fortalezas de Lages e Santa Cruz no Rio de Janeiro e a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul (1893 - 1895), consagrou-o como consolidador da República e valeu-lhe o cognome de "Marechal de Ferro". Apesar de ter sofrido acirrada oposição, inclusive do Congresso, manteve-se até o fim de seu mandato.
Fez um governo nacionalista, austero e centralizador, portanto, nada democrático; enfrentou implacavelmente seus inimigos, demitiu (contra a lei) os governadores que tinham apoiado Deodoro; venceu a queda-de-braço contra a Marinha, na segunda Revolta da Armada (1893). No Sul, deu apoio a Júlio de Castilhos. Tornou-se o Marechal de Ferro. Queria a reeleição (que era constitucional), mas, ainda assim, se recusou a dar um golpe - articulado por seus aliados jacobinos - contra a posse do civil Prudente de Morais.
Quando o Congresso começou a questionar a legalidade da repressão, Floriano respondeu: "vão discutindo, que eu vou prendendo".
Agiu como um tirano, mas tinha um grupo ardoroso de fãs, os "florianistas" ou "jacobinos". Gostavam dele porque tomara algumas medidas populares: tabelar preço dos aluguéis, acabar com impostos sobre açougues, para baratear a carne e combater especuladores. Quando houve a Revolta da Armada, alguns navios de guerra estrangeiros (dos EUA, França, Inglaterra) estavam na Baía de Guanabara. Seus comandantes avisaram que poderiam desembarcar tropas a qualquer momento para "salvaguardar as vidas e propriedades de nossos compatriotas". Reagindo, Floriano responde aos comandantes militares das potências estrangeiras: "Podem desembarcar. Mas serão recebidos à bala". Tal reação teve efeito positivo sobre o povo brasileiro.
Ao terminar seu período de governo, Floriano percebeu que tinha pouca força política. No calor da Revolta da Armada, ele teve que aceitar a candidatura do cafeicultor paulista, Prudente de Morais à presidência da República. Percebeu que nenhum grande fazendeiro o apoiaria caso quisesse implantar uma ditadura militar. "O verdadeira poder não está nas armas, mas no dinheiro".