General João Baptista Figueiredo

(João Baptista de Oliveira Figueiredo)

(15/03/1979 - 15/02/1985)

Último presidente do regime militar, deu seqüência ao processo de "abertura", antes chamado de distensão.

A posse do novo Presidente ocorre num quadro de profunda crise econômica, dando condições para que a oposição apoiada nas modificações constitucionais feitas por Geisel, aumente as pressões no sentido de se obter a Democracia. Amplia-se a luta pela Anistia e a batalha para acabar com o regime, porém ele continuava perseguindo operários, sindicatos e voltado para as elites do país.

Como Garrastazu Médici, o quinto general-presidente, João Baptista Figueiredo, também chegou ao poder após chefiar o Serviço Nacional de Informação (SNI). Mas, ao contrário de seu predecessor, Figueiredo teve a missão de concretizar a abertura iniciada por Ernesto Geisel.

Para cumprir a promessa da volta à Democracia, assinou a LEI DA ANISTIA em agosto de 1979, que permitia o retorno de exilados políticos ao Brasil, e precisou enfrentar as bombas da linha dura, que no início da década de 80 fez o país retornar à época da "guerra suja".

A crise econômica gerou uma série de protestos em todo o país, levando aos movimentos grevistas. O governo respondia a esses movimentos com intervenções nos sindicatos, prisões e utilizando a Lei de Segurança Nacional, portanto o governo apenas se preocupava com as elites políticas, setores das classes médias e defender o capital internacional.

As negociatas internas aumentavam, prova disso, a sequência de escândalos, dos quais os maiores foram o da mandioca (1981), Cadernetas de Popupança Delfin e Haspa, Capemi, Coroa-Brastel (1983), Sunamam e INAMPS (1984) e dos bancos Brasilinvest e Sulbradileiro (1985)

Se durante o governo Médici a economia ia bem e o povo mal, durante os seis anos do governo Figueiredo tanto a economia quanto o povo foram mal. A uma série de medidas heterodoxas, drásticas e equivocadas - tomadas pela equipe econômica, liderada por Delfim Netto-, se juntaria a segunda crise internacional do petróleo. A inflação e a dívida interna dispararam. Durante os seus seis anos teve um aumento da taxa de inflação de 43% para 229,7%, a dívida pública interna elevou-se de Cr$ 0,5 milhões para CR$ 90,3 milhões, e a externa chegou a US$ 100,2 bilhões, forçando o país a recorrer em novembro de 1982, ao "auxílio" do Fundo Monetário Internacional (FMI). No final de 1983, o PIB caiu em 2,5%, e a dívida externa (que passara de US$ 81 bilhões para US$ 91 bilhões) era responsável por juros anuais de US$ 9,5 bilhões. A crise reforçou os argumentos da oposição e gerou inúmeras greves no ABC paulista e ajudou a deflagar a campanha pelas DIRETAS JÁ, com a população saindo às ruas para dar seu apoio a uma emenda constitucional que seria votada em abril de 1984, restabelecendo as eleições diretas para a Presidência. A campanha das "diretas já", no entanto, foi rejeitada em 25 de abril.
Figueiredo manteve o calendário eleitoral, que previa eleições estaduais para novembro de 1982, embora forçasse o Congresso a adotar medidas restritivas à oposição. Por isso, em abril de 1984, a emenda das diretas-já não foi aprovada.

Mas, em janeiro de 1985, Tancredo Neves foi eleito pelo Colégio Eleitoral e Figueiredo pôde deixar o poder com a promessa cumprida.

Ao final de seu governo, os políticos da oposição estavam extremamente prestigiados.