Marechal Deodoro

(Marechal-de-Campo Manuel Deodoro da Fonseca)

(15/11/1889 a 24/02/1891)

(25/02/1889 - 23/12/1891)

 

Proclamada a República, Deodoro assumiu o comando do país, que passava a se chamar Estados Unidos do Brasil. Enquanto não havia eleições para presidente e para o Congresso Nacional (deputados e senadores), funcionava um Governo Provisório chefiado pelo marechal. Verdadeira ditadura, sem Congresso e com governadores nomeados por Deodoro. Uma lei estabeleceu que qualquer pessoa que fizesse oposição ao governo poderia ser presa imediatamente.

Militar por vocação, destino, herança e necessidade, Manuel Deodoro da Fonseca foi oficial de carreira que ascendeu na tropa brasileira graças à bravura em combate, à determinação e ao comportamento irrepreensível. Participou da repressão à Praieira, do cerco a Montevidéu e de uma dezena de batalhas na Guerra do Paraguai. Sua ascensão foi tal que, em 1883, além de comandante das Armas do RS, ele virou presidente provisório da província. Foi então que se envolveu na Questão Militar: aliou-se a Júlio de Castilhos e desafiou a monarquia. Ainda assim, em tese, a questão militar acabou bem para todos - menos para Deodoro, que, apesar de continuar comandante das Armas de uma província, percebeu que, na verdade, fora "desterrado" para Mato Grosso.

Mas foi em agosto de 1889 que o império, sem o perceber claramente, fez de Deodoro um inimigo. Primeiro, o coronel Cunha Matos, o mesmo da Questão Militar, foi feito presidente de Mato Grosso - seria um coronel mandando num marechal. Depois, Gaspar Oliveira Martins - que Deodoro odiava - virou presidente do RS. Embora amigo de Castilhos, Assis Brasil, Ramiro Barcelos e dos outros republicanos gaúchos, Deodoro não era um deles. Tanto que, logo que chegou ao Rio, em 13 de setembro de 1889, após deixar Mato Grosso sem maiores explicações ao governo, Deodoro escreveu numa carta a um sobrinho: "República no Brasil é coisa impossível porque será uma verdadeira desgraça. Os brasileiros estão e estarão muito mal-educados para republicanos. O único sustentáculo do nosso Brasil é a monarquia; se mal com ela, pior sem ela". Faltavam 63 dias para o marechal dar o golpe republicano.

Deodoro estava doente; passou quase todo o mês de outubro de cama. Apesar de amargurado com o governo, gostava do imperador e relutou antes de conspirar. Parece ter sido quase um bode expiatório às avessas, um "inocente útil", atraído à rebelião por Benjamin Constant - para fazer a ponte entre a velha guarda e a "mocidade militar". Talvez isso explique os seus vacilos em frente às tropas, no Campo de Santana, quando derrubou o ministro Ouro Preto, mas não ousou proclamar a república. A república de fato só foi proclamada à noite, na casa de Deodoro, com ele na cama. Alguém espalhou o boato de que D. Pedro escolhera Gaspar Silveira Martins para o lugar de Ouro Preto. As hesitações de Deodoro acabaram. Chamou Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Aristides Lobo e falou: "Digam ao povo que a República está feita".

Aprovada a Constituição, restava a escolha do novo Governo. Na noite de 15 de novembro de 1889, foi constituído o primeiro governo provisório da Nova República dos Estados Unidos do Brasil, sendo o seu chefe o Marechal Deodoro. Segundo as disposições transitórias da Constituição, a tarefa cabia ao Congresso. Dois candidatos se apresentaram: Deodoro, sustentado pelos Militares e Prudente de Morais, apoiado pela oposição. O primeiro, gozando ainda de grande prestígio, vence o oponente por 129 votos contra 97. Mas, para o cargo de vice-presidente, sai vitorioso o Marechal Floriano Peixoto, da chapa da oposição.

Deodoro se tornou o primeiro presidente do novo regime e Benjamin Constant, ministro da Guerra. O convívio entre ambos não foi pacífico - como não era o dos "tarimbeiros" com os "científicos". Numa reunião ministerial, em 1890, ambos quase se agrediram e Deodoro desafiou Constant para um duelo. Mas dali a dois anos, ambos estariam mortos. Deodoro, que pedira demissão do Exército, exigiu ser enterrado em trajes civis.

O governo começou dirigindo uma Proclamação ao país, anunciando a instauração do novo regime e procurando justificá-la. Pelo decreto n0 1, foi adotado, a título provisório, o sistema Republicano Federativo; as províncias do extinto Império foram transformadas em Estados Federativos, declarando-se dissolvidas todas as instituições incompatíveis com o novo regime. A família real foi banida, viajando para a Europa no dia 17 de novembro e, dois dias depois, foi adotada uma nova bandeira e escudo de armas para o Brasil.

Em dezembro tivemos a grande "naturalização" pela qual passaram a ser brasileiros todos os estrangeiros que aqui se encontrassem, e não manifestassem o desejo de continuar com a nacionalidade primitiva.

Em janeiro de 1890, novas medidas continuaram a produzir intensas reformas, entre elas a separação da Igreja do Estado, regulamentando-se, em consequência, o registro e o casamento civil.

A política desenvolvida por Deodoro era vista como "centralizadora", contrária aos ideais federativos, pois depõe vários governadores e fecha o Congresso, em 1891, desrespeitando a Constituição

Isolado, Deodoro é acusado de se apoiar nos antigos monarquistas. O Barão de Lucena, chefe de gabinete de seu governo, é um velho político do Império. Diante disso, a oposição republicana começa a se articular em torno de Floriano Peixoto. A crise aumenta. E, por cúmulo, a Marinha, que abrigava muitos monarquistas, também se rebela contra o Governo ameaçando bombardear a Capital. As tropas já não mais obedeciam ao marechal. Só restava a Deodoro a dignidade da renúncia. O país estava à beira da guerra civil. A 23 de novembro de 1891, o primeiro Presidente do Brasil renuncia deixando o Governo.