
Café Filho
(João Café Filho)
(24/08/1954 - 09/11/1955)
Embora tivesse sugerido que ambos renunciassem, assim que
Getúlio Vargas se matou o vice-presidente Café filho assumiu a chefia da nação
com o apoio da UDN, procurando desarticular as forças sindicais, favorecendo a
iniciativa privada e os investimentos estrangeiros.
O impacto provocado pelo suicídio de Vargas impediu que a "República do Galeão" tomasse o poder. A posse de Café Filho foi a solução constitucional. O potiguar João Café Filho (1899-1970) era um político com um passado de esquerda que, como bom fisiologista, se ligara ao populismo ademarista. Fora o próprio Ademar de Barros quem o indicara para vice de Vargas nas eleições de 1950.
Ao tomar o poder, Café Filho manteve a posição que adotara durante a crise que levou Vargas ao suicídio: permaneceu na oposição e montou um ministério no qual o predomínio da UDN era evidente. Facilitou ainda mais a penetração do capital externo, o que descontentou os nacionalistas e o operariado. Ainda assim, Café Filho se comprometeu a cumprir o calendário eleitoral, mantendo as eleições para a Câmara, Senado e governos estaduais (marcadas para outubro de 54) e as eleições presidenciais, previstas para outubro de 1955. E cumpriu a promessa. Após a eleição de JK, porém, Café Filho teria participação indireta na tentativa de golpe com a qual a UDN tentou impedir a posse do presidente eleito.
Afastou-se antes do final do mandato, por motivos de doença.
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1954 - 1955
A UDN derrotara
Getúlio, mas não o populismo, que permanecia arraigado em quase todos os setores da sociedade brasileira. A morte do presidente fez ascender as forças udenistas, através do Vice-presidente Café Filho. Este adoecendo, foi substituído por Carlos Luz (presidente da Câmara dos Deputados), que, ligado às forças udenistas, não desejava que a coligação PSD-PTB ganhasse as eleições presidenciais. Mas tudo foi em vão: nas urnas vence Juscelino Kubitschek de Oliveira (governador de Minas Gerais), derrotando Juarez Távora (UDN, o ex-tenente "Vice-rei do Norte"), Ademar de Barros (Partido Social Progressista de São Paulo) e Plínio Salgado (ex-AIB, agora PRD). O vice de JK era João Goulart, o Jango. A UDN, derrotada, logo exigiu para a posse dos eleitos a maioria absoluta dos votos o que nem a Constituição exigia. Depois, vendo a inutilidade dos argumentos, conclamava setores mais conservadores da Forças Armadas a impedir a posse de JK e Jango sob a alegação de que ambos estavam ligados ao populismo (em parte verdadeiro) e fariam o país retornar ao caos de 1954. Carlos Lacerda, jornalista e deputado pela UDN era o grande mentor desta proposta golpista. Além disso, "os eleitos tiveram apoio dos socialistas e comunistas", argumentava a UDN, repetindo velhas cantigas para "defender a democracia". Entretanto, o Ministro da Guerra, o marechal Henrique Teixeira Lott, resolveu dar um golpe preventivo a fim de garantir a posse dos eleitos (novembro de 1955). Carlos Luz foi declarado impedido de exercer a presidência; Café Filho, que já se restabelecera, foi feito prisioneiro em sua própria casa; assumiu Nereu Ramos (vice-presidente do Senado) que se compromete a dar posse aos eleitos (janeiro de 1956). O populismo vencera mais uma vez, contudo suas contradições se aprofundavam. JK seria o último civil a cumprir seu mandato presidencial desde 1930.