
Afonso Penna
(Afonso Augusto Moreira Penna)
(15/11/1906 - 14/06/1909)
Após três paulistas terem ocupado sucessivamente a presidência da República, o mineiro Afonso Penna assumiu o cargo para dar continuidade à política do café com leite. Apesar de vir da terra do leite, Penna foi um presidente "cafeeiro". "Política faço eu", declarou Afonso Penna pouco depois de assumir o cargo. A frase era uma resposta ao apelido que seu ministério - formado por jovens com pouca experiência em cargos públicos - recebera da imprensa: "Jardim da Infância".
Seguindo o programa de realização de obras públicas iniciado por Rodrigues Alves, Afonso Penna remodelou e modernizou capitais e portos brasileiros. Ampliou consideravelmente a rede ferroviária e estendeu a rede telegráfica a todo o país. Criou o Instituto de Manguinhos, mais tarde chamado Instituto Oswaldo Cruz.
Preocupado com o desenvolvimento da indústria nacional, elevou
as taxas de importação, dificultando a entrada de produtos estrangeiros.
Menos ortodoxo em matéria fiscal e financeira do que Rodrigues Alves,
Penna bancou um empréstimo de 15 milhões de libras para custear a intervenção do
Estado no mercado do café. Incentivou a "internacionalização" do mercado
cafeeiro e estabeleceu a política da desvalorização da moeda nacional. Entre
1906 e 1910, especuladores internacionais retiveram 8,5 milhões de sacas para
forçar o aumento do preço do produto. O esquema foi benéfico para os
atravessadores, mas vários produtores ficaram arruinados e a dívida externa
brasileira aumentou muito.
O café não era a única preocupação de Afonso
Penna: ele promoveu a criação de parques industriais, incentivou a cosntrução de
linhas férreas, modernizou os portos do Recife, Vitória e Rio Grande do Sul.
promoveu a conquista do oeste, a cargo de Rondon, e organizou a Exposição
Nacional de 1908, para mostrar que o Rio "se civilizara".
Para sucedê-lo
na presidência, Penna queria indicar o presidente de MG, João Pinheiro, que
morreu. Penna optou então por seu ministro da Fazenda, Davi Campista. Mas, diz a
lenda, o marechal Hermes entrou no Catete e, "de modo "rude", anunciou que
pretendia concorrer à presidência da República - enfatizando a proposta com um
golpe de espada na mesa. Inconformado com o perfil militarista de Hermes, o
eterno candidato ao "trono" presidencial, Rui Barbosa, lançou o próprio nome. Já
doente, Afonso Penna não resistiu a três golpes: a briga com o ministro da
Guerra, as críticas violentas de ex-aliados, como o oligarca mineiro Bias
Fortes, por sua interferência no processo sucessório e, por fim, a morte do
filho mais velho. Solitário e isolado - desafiado também por Rui Barbosa -,
morreu em junho de 1909, um ano e meio antes do fim de seu mandato e foi
substituído pelo Vice-Presidente Nilo Peçanha.