ACRE

LOCALIZAÇÃO: o Acre, estado brasileiro, situado no extremo sudoeste da região Norte, em plena Amazônia brasileira

FRONTEIRAS: Norte = Amazonas; Sul e Oeste = Peru; Leste = Rondônia; Sudoeste = Bolívia

ÁREA (km²): 153.149,9

RELEVO: A maior parte de seu território encontra-se em região de planalto

RIOS PRINCIPAIS: Juruá, Tarauacá, Muru, Embirá, Xapuri, Purus, Iaco e rio Acre.

VEGETAÇÃO: predominância da floresta equatorial ou hiléia brasileira

CLIMA: equatorial (quente e úmido)

MUNICÍPIOS (número): 22

CIDADES MAIS POPULOSAS: Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Taraucá, Sena Madureira e Brasiléia

HORA LOCAL (em relação a Brasília): - 2h

HABITANTE: acreano

POPULAÇÃO: 557.526 (2000)

DENSIDADE: 3,64 habitantes por km2

ANALFABETISMO: 23,1 % (2000)

MORTALIDADE INFANTIL: indica a existência de 29 óbitos antes de um ano de idade, para cada grupo de mil crianças nascidas vivas

CAPITAL: Rio Branco (nomeada Rio Branco em 1912, em homenagem ao Barão do Rio Branco)

HABITANTE DA CAPITAL: Rio-branquense

 

O nome Acre origina-se de Áquiri, forma pela qual os exploradores da região transcreveram a palavra Uwákuru, do dialeto dos índios Ipurinã.

A economia do Estado se baseia na extração da borracha e da castanha, na pecuária e na agricultura. A floresta sustenta a economia acreana e faz da indústria extrativa vegetal a atividade fundamental da população. A composição da economia do estado baseia-se primordialmente na extração da borracha e da castanha e ainda na atividade pecuária. O Acre é o maior produtor de borracha do país, sendo a seringueira encontrada principalmente nas bacias dos rios Purus, Juruá e Madeira. A coleta de castanha-do-pará é também atividade básica, realizada, em geral, pelo seringueiro, como ocupação subsidiária, na época das chuvas. Sua safra não é regular. A agricultura é geralmente praticada para subsistência, mas algumas lavouras como a mandioca, o arroz, a banana e o milho são também de importância econômica para o estado, além de serem essenciais para a subsistência de sua população. Na pecuária destaca-se o rebanho de gado bovino (464 mil cabeças); os suínos (202.912 cabeças); e ovinos (26 mil unidades)(5). Existe ainda alguma atividade industrial no estado do Acre, voltada para a produção alimentícia, madeireira, de cerâmica e de mobiliário. O comércio é feito quase todo por via fluvial e os produtos exportados convergem, quase totalmente, para os estados do Amazonas e Pará.

 

O território do Acre pertencia à Bolívia até o início do século XX, embora desde as primeiras décadas do século XIX a maioria da sua população fosse formada por brasileiros que exploravam os seringais e não obedeciam à autoridade boliviana, formando, na prática, um território independente e exigindo a sua anexação ao Brasil. Em 1899, na tentativa de assegurar o domínio da área, os bolivianos instituíram a cobrança de impostos e fundaram a cidade de Puerto Alonso, hoje Porto Acre. Os brasileiros revoltaram-se com tal providência, o que resultou na disseminação de vários conflitos, que somente terminaram com a assinatura, em 17 de novembro de 1903, do Tratado de Petrópolis, pelo qual o Brasil adquiriu, em parte por compra e em parte pela troca de pequenas áreas dos estados do Amazonas e do Mato Grosso, o futuro território e depois estado do Acre.

Problemas de fronteira também existiram com o Peru, que reivindicava a propriedade de todo o território do Acre e mais uma extensa área no estado do Amazonas, tendo tentado estabelecer delegações administrativas e militares na região do Alto-Juruá entre os anos de 1898 e 1902, e do Alto-Purus entre 1900 e 1903. Os brasileiros, no entanto, com seus próprios recursos, forçaram os peruanos a abandonar o Alto-Purus em setembro de 1903. Com base nos títulos brasileiros e nos estudos das comissões mistas que pesquisaram as zonas do Alto-Purus e do Alto-Juruá, o Barão do Rio Branco, Ministro das Relações Exteriores na época, propôs ao governo do Peru o acerto de limites firmado a 8 de setembro de 1909. Com esse ato completou-se a integração política do Acre à comunidade brasileira.

O processo de incorporação do Acre ao Brasil decorreu do desbravamento de populações do Nordeste, que o povoaram e o fizeram produtivo, repetindo a proeza dos bandeirantes de São Paulo, que partiram em expedições para o interior nos séculos XVI e XVII. No caso do Acre, foram as secas nordestinas e o apelo econômico da borracha - produto que no final do século XIX alcançava preços altos nos mercados internacionais - que motivaram a movimentação de massas humanas oriundas do Nordeste,. para aquela região amazônica. Datam de 1877 os primeiros marcos de civilização efetiva ocorrida no Acre, com a chegada dos imigrantes nordestinos que iniciaram a abertura de seringais. Até então, o Acre era habitado apenas por índios, uma vez que a expansão luso-brasileira ocorrida na Amazônia durante o período colonial, não o havia alcançado. A partir dessa época, no entanto, a região tornou-se ativa frente pioneira, que avançou pelas três vias hidrográficas existentes: o rio Acre, o Alto-Purus e o Alto-Juruá.

A partir de 1920, a administração do Acre foi unificada e passou a ser exercida por um governador, nomeado pelo Presidente da República. Pela Constituição de 1934, o território passou a ter direito a dois representantes na Câmara dos Deputados. Em 1957, projeto apresentado pelo deputado José Guiomard dos Santos elevava o território à categoria de estado, o que resultou na Lei nº. 4.070, de 15 de junho de 1962, sancionada pelo então Presidente da República, João Goulart. O primeiro governador do estado do Acre foi o senhor José Augusto de Araújo, eleito em outubro de 1962, com 7.184 votos.

Existem 28 áreas indígenas espalhadas pelo estado do Acre, onde vivem cerca de 8.414 índios, numa área de 1.901.571 hectares (*). Desse total, 12 áreas já se encontram demarcadas pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), somando um total de 916.070 hectares, com uma população de 4.745 pessoas. Os restantes 3.669 índios que habitam a região do estado do Acre, aguardam a formalização das demarcações, mas já vivem, em definitivo, em suas terras.

 

(*) São as seguintes as áreas dos grupos indígenas vivendo no Estado do Acre: Alto Rio Purus, Alto Turauacá, Arara/Igarapé Humaitá, Cabeceira do Rio Acre, Campinas/Katukina, Igarapé Anjo, Igarapé do Caucho, Jaminawá do Igarapé Preto, Kampa do Rio Amônea, Kampa do Rio Envira, Katukina/Kaxinawá de Feijó, Kaxinawá Ashaninka do Rio Breu, Kaxinawá da Colônia Vinte e Sete, Kaxinawá do Rio Humaitá, Kaxinawá do Rio Jordão, Kaxinawá Nova Olinda, Kaxinawá Praia do Carapanã, Kulina do Igarapé do Pau, Kulina do Rio Envira, Mamoadate, Nukini, Poyanawá, Recreio I, Rio Gregório, Riozinho da Liberdade, Timbaúba e Xinane.

 

Fontes: Fontes: IBGE / Governo do Estado do Acre / República Federativa do Brasil